24 maio 2009

Andando com Deus

Entre minhas leituras do momento está o livro de A. W. Tozer - “À procura de Deus”. Chamou-me muito a atenção o final do capítulo 5 sobre a “onipresença de Deus”, quando o autor se refere ao que Deus pode fazer por uma pessoa que vive totalmente para ele: “Qualquer homem que se dedicar inteiramente a Deus, começar a exercitar sua vida espiritual, e procurar desenvolver sua sensibilidade para as coisas espirituais, mediante confiança, obediência e humildade, verá que os resultados ultrapassarão a tudo que ele poderia desejar em seus momentos de mais intensa busca”. Isso me atraiu bem.

Hoje a nossa espiritualidade é muito condicionada ou departamentalizada. Criamos sistemas, programas, horários, e depois nos frustramos por não conseguir cumprir as regras que nós mesmos criamos, achando com isso que estamos desagradando a Deus. À medida que envelheço me convenço cada vez mais da veracidade dessas palavras de Tozer. A vida cristã é um todo, não temos como separar horários, dias e ocasiões para vivenciá-la. O que precisamos de fato é nos dedicarmos a Deus incondicionalmente, e desenvolvermos nossa intimidade com ele para fazermos sua vontade em todos os aspectos da vida. É importante ter um período devocional diário, mas essa devoção deve se estender por todo o dia no que fazemos, falamos, e pensamos. Se nossa piedade não for um estilo de vida, nossos momentos devocionais não serão nada mais que rituais religiosos ocos e farisaicos. A vida com Deus é para ser vivida, não coreografada com aparências.

Tozer ainda diz: “Todo indivíduo que, através do arrependimento e de um retorno sincero a Deus, quiser libertar-se dos moldes tradicionais, e quiser tomar apenas a Bíblia como seu padrão espiritual, ficará maravilhado com o que achará nas Escrituras”. Conscientes ou não, queremos ignorar a real necessidade do arrependimento antes de experimentar o que Deus tem para nós. Deus continua dizendo: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cr 7.14). Arrependimento implica numa mudança de pensamento, sentimento e conduta em relação a Deus. O padrão a ser seguido é o de Deus. Sua vontade para nós é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.1-2). O que a Bíblia nos ensina deve nos bastar para uma vida plena. Nossa confissão deve ser a mesma do salmista: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo. Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos. Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos. De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra" (Sl 119.97-101).

Enquanto a pessoa não experimenta o novo nascimento pelo poder do Espírito Santo, ela não tem vida com Deus. Ela pode até ser uma boa pessoa nas relações sociais, familiares, e trabalhistas, mas isso não a livra de ser alguém que vive na vaidade de seus próprios pensamentos, obscurecida de entendimento, alheia à vida de Deus por causa da ignorância espiritual em que vive, pela dureza do seu coração, deixando-a insensível. Algumas pessoas se entregam à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza (Ef 4.17-19). Não é assim que vive uma pessoa que anda com Deus.

A Bíblia fala muito do andar com Deus. Essa expressão quer significar o modo de viver com Deus. Normalmente andamos, ocasionalmente corremos. Assim, andar com Deus é viver cada dia com ele. Deus tomou a iniciativa de andar com o homem (Gn 3.8). Depois disso muitos homens e mulheres no decorrer da história experimentaram o “andar com Deus”, como Enoque (Gn 5.22), Noé (Gn 6.9), e tantos outros. Deus disse para Abrão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1). Nessa ocasião Abrão tinha noventa e nove anos. Isso me diz que andar com Deus deve ser uma constante por toda a vida, e manter esse padrão requer uma vigilância constante. Essa consciência da presença de Deus deve provocar em nós confiança e segurança (Gn 24.40), pois ele prometeu andar entre o seu povo (Lv 26.12). Assim devemos viver, em novidade de vida (Rm 6.4), com dignidade (Rm 13.13). Andar com Deus é andar no Espírito para não satisfazer aos desejos errados de nossa natureza pecaminosa (Gl 5.16). Devemos andar em amor porque somos filhos da luz (Ef 5.2, 8). Deus nos ajude a andar com ele hoje, para que possamos andar dignamente com ele na eternidade (Ap 3.4). Andar com Deus é um projeto sem retorno, é uma caminhada eterna desde já.
5 Antonio Francisco: Andando com Deus Entre minhas leituras do momento está o livro de A. W. Tozer - “À procura de Deus”. Chamou-me muito a atenção o final do capítulo 5 sobre a ...

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